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Mais de 150 profissionais inscritos no 8º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás

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Crédito: Leoiran
Crédito: Leoiran

O Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor) realizou o seu 8º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás, nos dias 9 e de 10 agosto, no auditório Costa Lima, da Assembleia Legislativa de Goiás, em Goiânia. O evento, que teve abertura de conferência com o editor do The Intercept Brasil, Leandro Demori, e presenças na mesa do presidente do Sindjor Goiás, Luiz Spada e da presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Maria José Braga, contou com mais de 150 inscritos, entre jornalistas, estudantes, professores e outros profissionais da imprensa e sociedade em geral.

Maria José, que fez as apresentações, ressaltou a importância da imprensa livre e da atuação profissional da classe nesse momento, em que há represálias aos jornalistas por parte do Governo e instituições federais.

O convidado Leandro Demori, que sucedeu a presidenta da FENAJ, lembrou a crise que o jornalismo passa pelo País. “Redações encolheram e jornalistas mais experientes foram mandados embora. A imprensa as fragilizou nos últimos dez anos. Quando essa grande mídia se enfraquece e uma nova não se sobrepõe, pois poucas têm força de verdade, a gente vive um limbo do enfraquecimento do jornalismo em si”, apontou.

Segundo Demori, o governo atual vê o profissional de imprensa como inimigo número um, o que impacta diretamente a confiança em relação à imprensa. “E a imprensa tem sua parcela de culpa, por não reconhecer os seus erros, nessa quebra de confiança.”
Para ele, é necessário tornar o jornalismo mais atraente, uma vez que a imprensa brasileira é muito careta. “O jornalismo tem que ser competente o bastante para brigar com Netflix, Game of Thromes, etc”. Apesar disso, ele afirma que os profissionais têm criado novos espaços para as pessoas consumirem informações. “E precisamos criar isso agora nesse cenário de caos.”

Fake news

Para Demori, a quantidade de fake news é criada com intuito claro de nublar e enfraquecer o jornalismo, uma vez que não há como produzir agências de fact checking o suficiente para checar tudo.

Além disso, ele afirma que as plataformas de redes sociais não se importam com isso, pois Google e Facebook são as maiores redes de propaganda, e pro algoritmo não importa se a informação é verdadeira ou não, pois gera audiência. Ele ainda lembrou que esses sites só terceirizaram agências de checagem, porque viraram verdadeiras “latas de lixo”.

Lava Jato

Foi nesse contexto, segundo ele, que surgiu a Lava Jato. “A Lava Jato fornece notícia explosiva com altos índices de audiência, gratuitamente. Você simplesmente replica o que vem de Curitiba”, avaliou. “Notícia explosiva, todos os dias, tem altíssimos índices de audiência. Mas, com isso não faz cobertura crítica. E, à medida que ela pega cabeças grandes, ela vai se blindando. Falar sempre com as pessoas certas, para noticiar da forma como eles querem.”

Texto dos jornalistas: Francisco Costa e Denise Rasmussen Reis.