Mostra de Roberto Rossellini no Lumière Banana Shopping a partir de 12 de abril

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Entre os dias 12 e 21 de abril vai ocorrer a quarta edição do Fronteira Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental no Cinema Lumière do Banana Shopping, em Goiânia. As sessões serão da Mostra Roberto Rossellini e mantém a tradição do festival de ocupar salas de cinema do centro da cidade de Goiânia. Jornalistas que apresentarem a carteira da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) pagam meia entrada. 

A Mostra Roberto Rossellini apresentará sete filmes do cineasta que foi o precursor do Neorrealismo italiano e que redirecionou os debates sobre os propósitos da produção audiovisual. O Fronteira é realizado pela Barroca Filmes e patrocinado pelo Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás.

Filmes da Mostra Retrospectiva Roberto Rossellini:

ROMA, CIDADE ABERTA | Direção: Roberto Rossellini, Itália, 1945, 100 min.

PAISÁ | Direção: Roberto Rossellini, Itália, 1946, 126 min.

ALEMANHA, ANO ZERO | Direção: Roberto Rossellini, Itália, 1948, 75 min.

STROMBOLI | Direção: Roberto Rossellini, Itália, 1950, 107 min.

O MEDO | Direção: Roberto Rossellini, Itália, 1954, 84 min.

INDIA, MATRI BUHMI | Direção: Roberto Rossellini, Itália, 1959, 95 min.

DESCARTES | Direção: Roberto Rossellini, Itália, 1974, 162 min.

ROSSELLINI VISTO DI ROSSELLINI | Direção: Adriano Aprá, Itália, 1992, 62 min.

Cinema Histórico: Retrospectiva Roberto Rossellini

Adriano Aprà

A curadoria da Mostra Roberto Rosselini é do pesquisador italiano Adriano Aprà (78 anos), que dedicou toda a sua vida a investigar a obra deste cineasta. Na ocasião, além do público ter a oportunidade de assistir a cópias restauradas de filmes históricos, o próprio Aprà estará em Goiânia para debater com os espectadores do Festival.

Roma, cidade aberta

Um dos filmes presentes no Fronteira será o clássico Roma, Cidade Aberta (1945), que mostra a cidade de Roma entre 1943 e 1944, ocupada pelos nazistas, com uma população de comunistas e católicos que se unem para combater os alemães e as tropas fascistas. Filmado em locações reais e com atores amadores, tornou-se o marco inicial do neorrealismo italiano e uma das criações mais importantes da história do cinema.

Paisá

Outros filmes que demonstram sua capacidade de contar histórias inquietantes sobre a realidade de seu tempo, que fazem parte da trilogia de guerra de Rossellini, e que também estarão no Fronteira são: Paisá (1946), que discorre, de forma quase documental, sobre encontros entre seres humanos e ambientes devastados, que remontam cenas de abandonos e empatia, demandas sociais e emocionais em uma Itália que via as tropas americanas de libertação avançarem sobre seu território; e Alemanha, Ano Zero (1948), o mais contundente filme sobre o pós-guerra e a crise econômica e moral na Alemanha, contada através do drama de uma criança de 12 anos que cuida de um pai doente, e que consegue seu sustento participando de um universo de crimes e falcatruas;

Também entram no Fronteira as obras Stromboli (1950) O Medo (1954). Naquele, vemos a primeira atuação da atriz Ingrid Bergman para um filme de Rossellini, com quem casou-se no mesmo ano. Stromboli marca uma guinada no percurso do cineasta. Uma obra caracterizada por sua beleza natural e por uma história ligada ao amor, às crenças, devoções e resiliência. É um filme que marca por sua força natural. Já em O Medo, em contraponto ao primeiro filme, diz-se desta obra que Rossellini criou dois personagens espelhados na sua própria vida, deixando clara a situação conflituosa de sua relação com Ingrid Bergman, de quem se separou em 1957. Uma história de traição, manipulação e suspense.

Depois, o recorte do Fronteira dá um salto de 5 anos, e apresenta o filme INDIA, MATRI BUHMI (1959). Este sim é um documentário no sentido estrito da palavra, mas que registra as impressões de Rossellini sobre a Índia e sua emergência social por meio das histórias de pessoas comuns.

Descartes

Para completar, o Fronteira exibe Descartes (1974), a cinebiografia do pensador René Descartes, que é o quarto longa-metragem que mestre do neorrealismo italiano filmou para a TV na década de 70, já no final da carreira. Com base nas obras e na vasta correspondência do filósofo, o filme mostra o lado humano do pensador francês e o contexto em que o pai da filosofia moderna desenvolveu suas teorias. Vale ressaltar que no fim de sua vida Rossellini se empenhou em um trabalho singular e pedagógico, que tinha o propósito de criar um conteúdo educativo para a televisão italiana, numa tentativa de narrar a história da humanidade.

Finalizando, a retrospectiva ainda exibirá ROSSELLINI VISTO DI ROSSELLINI, filme dirigido por Adriano Aprá sobre o cânone italiano.